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22/05/2008

0 Catarse


Estou lendo um livro que, aliás, recomendo. Chama-se “Febre de Bola” (“Fever Pitch” no original, do inglês Nick Hornby, o mesmo de “Alta Fidelidade”) e inspirou o nome das nossas tardes de sábado e domingo lá na emissora.

O livro narra a vida de um menino (o próprio Hornby) e a descoberta da sua paixão pelo Arsenal. Dias inteiros dedicados ao ritual almoço-estádio com o pai-resenha no rádio-casa (lembra alguma coisa?), vitórias sofridas, derrotas sentidas, um amor que foi se revelando maior do que tudo o que ele jamais havia vivenciado, e jamais iria vivenciar.

Mas vamos ao ponto.

Em um dado momento do livro, ele narra a saga da final da FA CUP de 79 contra o Manchester United, em Wembley. Os Gunners abriram 2 a 0, sofreram o empate e, quando tudo parecia perdido, quando só no que a torcida conseguia pensar era nos dois vices em anos anteriores, o gol salvador lhes deu o caneco e a explosão de glória, alegria e alívio. Principalmente alívio. Ele diz:

“Então Alan Sunderland esticou o pé para a bola, enfio ela gol adentro, bem na baliza à nossa frente, e eu não conseguia gritar “Gol!” ou “Ééééé!” ou nenhum dos outros sons que normalmente saem da minha garganta em momentos assim, e sim um único som, “AAAAARRRGGGHHHHHHHHH”, um som nascido do prazer absoluto e incrédulo choque, e de repente havia novamente gente no concreto das arquibancadas, pulando e rolando uns sobre os outros, de olhos arregalados e maravilhados.”

O capítulo se chama “Wembley IV – A Catarse”. Eu li esse exato capítulo vindo de São Paulo, de avião, pro Rio, ontem à tarde. Eu tinha tempo e disposição para continuar por mais capítulos, mas parei ali, por nenhuma razão que eu lembre. Simplesmente parei.

Perto do céu, quem sabe foi um recado Dele, um cochicho ao pé do ouvido: “Pára nesse capítulo, Filho. Hoje é dia de Catarse”.

A Família, reunida lá no alto do 43, e contando com a presença ilustre do muito bem-vindo pé-de-coelho atleticano (ou seria ‘pé-de-galo’?), agradeceu, feliz.

Noite feliz. Mas a comemoração ficou na noite de ontem. Hoje já é dia, dia de Corpus Christi, de agradecer ao Homem pela Sabedoria do seu cochicho, e humildemente pedir por mais proteção e bênção Dele. Tomamos gosto pela coisa – agora, queremos mais.

À concentração, ao trabalho. Vem aí mais um monstro pelo caminho. Vamos derrubar mais esse.
Saudações Tricolores.

Fábio Sá - Fluminense

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