
Antes de mais nada, parabéns aos rubro-negros pelo campeonato. Fico feliz pelo meu Filho e pelo Andrade, grande jogador, grande pessoa e quiçá um grande técnico.
Voltemos ao assunto do post: como é fácil falar besteira! Como é fácil a imprensa se iludir e querer iludir o público! Não existe besteira maior que “segundo o matemático Fulano de Tal, a probabilidade do time A ...”. O certo seria: “segundo o palpiteiro Fulano de Tal, a probabilidade do time A ...”.
O resultado de um jogo é um evento caótico, diferente do arremesso de um dado. Se você estudar o dado, você pode prever a probabilidade da ocorrência de um número. Por exemplo, num dado não viciado, a probabilidade de ocorrer número ímpar em um lançamento é de 50%. Isso é matemática. Agora, dizer que a probabilidade do time A vencer é de 38%, do time B vencer é de 34% e de dar empate é de 28%, isso é chute, palpite, qualquer coisa, menos matemática.
Mas e se olharmos pro passado? Qual passado? Quantas vezes aqueles dois times se enfrentaram na mesma situação? Mesmos jogadores, mesma situação emocional, mesmas condições físicas, mesmos técnicos, mesmos juízes e bandeirinhas, mesmo estádio, mesmas condições climáticas, mesma presença e entusiasmo das torcidas, etc.? Acreditem, o resultado é caótico, o que está longe de corresponder que a possibilidade do Santo André vencer o Internacional no Beira Rio seria maior que a de perder. Notaram? A possibilidade, diferente de probabilidade. Mas, e se a derrota do Inter impedisse um título ou provocasse o rebaixamento do Grêmio? Quem apostaria um centavo no Inter?
Fatos externos ocorriam e as probabilidades não se alteravam. O Fluminense passava de fase na Sul-Americana, significando mais jogos, mais viagens, mais desgaste físico e menos treino, e a probabilidade dele cair não aumentava. O Fluminense perdeu Maicon e Digão, e a probabilidade dele cair não aumentou. O São Paulo teve 3 jogadores suspensos e a probabilidade dele ser campeão não diminuiu. O Flamengo perdeu o Maldonado, e a probabilidade dele ser campeão não diminuiu.
Na última rodada, de 9 combinações possíveis apenas 1 era desfavorável ao Fluminense: vitória do Coritiba e vitória do Botafogo. Um evento em nove (11%). Entretanto, a probabilidade do Fluminense cair era de 29% (segundo o palpiteiro Tristão, mais triste do que nunca, Garcia). Isso equivale a dizer que a probabilidade do Coritiba vencer era de 58% e a do Botafogo 50% (ou vice-versa). Podia ser também 40% e 73%, 45% e 65%, 53% e 55%, etc. Analisando as campanhas, considerando o retrospecto em casa e fora, nada corrobora esses valores. Chute, palpite, e nada mais. O correto é mostrar os dados que alimentam os resultados, para que o torcedor possa avaliar o grau de confiança.
Peçam aos matemáticos de plantão o cálculo de probabilidades nos campeonatos do Cazaquistão, do Azerbaijão, etc. Entretanto você pode prever a probabilidade de tirar um 7 num jogo de dados em qualquer experimento, em qualquer lugar do planeta, onde os dados não sejam viciados. Matemática não tem fronteiras, palpite sim.
O matemático poderia criar um modelo e oferecer aos comentaristas e analistas de futebol. A média dos palpites seria divulgada. E a imprensa poderia então anunciar: “segundo o modelo matemático do Fulano de Tal e dos palpites de Sicrano, Beltrano, etc, a “probabilidade” do Botafogo atrapalhar a vida do Flamengo é zero”.
Pro Brasileirão 2010, farei um programa onde cada um de vocês poderá colocar as “probabilidades” relativas a cada jogo. Assim, vocês verão as “probabilidades” de ser campeão, de se classificar para a Libertadores, de rebaixamento, e a pontuação necessária para cada um desses eventos, segundo os palpites de vocês, sejam matemáticos ou não.
PS1: a possibilidade do Fluminense cair era extremamente alta em determinado momento do campeonato. Tinha mais fé numa escapatória do que qualquer outra coisa.
PS2: a possibilidade de um carioca cair então era altíssima. Ainda bem que ambos escaparam.
PS3: a possibilidade de voltar a freqüentar estádio com essa diretoria de fdp é baixíssima.
Saudações Tricolores!
Antonio Machado - Fluminense